Vídeo-aula 20: Diferentes possibilidades culturais no currículo escolar - César Rodrigues


Após uma breve passagem pelos conceitos de identidade e diferença, serão apresentadas algumas sugestões de encaminhamento do trabalho docente a partir de experiências realizadas em escolas públicas. Estas, engendradas com base nas manifestações culturais populares, comuns ao cotidiano discente local.

As identidades e diferenças são produzidas no contexto parental, na comunidade local, na escola propriamente dita, na mídia de uma maneira geral e na televisão de uma maneira específica, a partir da disseminação de uma identidade-referência localizada dentro de um certo grupo etnicorracial.
Identidade-referência: “Diz-se do conjunto fenotípico, gestual, de vestuário, religioso, alimentar, linguístico e comportamental – todos legitimados culturalmente – que representam o modelo de ser humano ao qual a semelhança se deva buscar, pois quanto maior a proximidade modelar de tal sujeito, maior a possibilidade de inserção social. No caso do brasil, destaca-se como identidade-referência o ser humano branco, euro-estadunidense e masculino.” (LINS-RODRIGUES, 2010)
Na escola, essas identidades e diferenças estão em todos os espaços escolares, mas com maior intensidade na sala de aula.
As diferenças são perpetuadas a partir de um referencial branco. O discente que não se enquadra nesse referencial sofre um grande conflito ao perceber todas as dificuldades encontradas por conta de seu enquadramento racial.
As culturas marginalizadas e, por isso, invisibilizadas pelo currículo escolar devem ser legitimadas dentro da escola.
Inicialmente é necessário traçar um perfil da comunidade atendida pela escola através de um mapeamento das manifestações culturais realizado com o auxílio dos alunos: músicas, brincadeiras, onde divertem-se...
É preciso fugir das inserções curriculares “turísticas” e folclóricas, ou seja, fazer com que as manifestações curriculares apareçam no currículo escolar apenas em datas pontuais.
É necessário lembrar que negar as diferenças simplesmente é uma forma de fortalecer o mito da democracia racial e, assim, fortalecer as situações simuladas (ou até explícitas) de preconceito e racismo dentro da escola. A intervenção docente nesses eventos é de crucial importância para a desconstrução dessas manifestações.

Sugestão de vídeo que pode ser trabalhado em sala de aula para a discussão a respeito da determinação de referenciais culturais, o curta metragem VISTA A MINHA PELE:


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