Após uma breve passagem pelos conceitos de identidade e diferença, serão apresentadas algumas sugestões de encaminhamento do trabalho docente a partir de experiências realizadas em escolas públicas. Estas, engendradas com base nas manifestações culturais populares, comuns ao cotidiano discente local.
As identidades e
diferenças são produzidas no contexto parental, na comunidade
local, na escola propriamente dita, na mídia de uma maneira geral e
na televisão de uma maneira específica, a partir da disseminação
de uma identidade-referência localizada dentro de um certo grupo
etnicorracial.
Identidade-referência:
“Diz-se do conjunto fenotípico, gestual, de vestuário, religioso,
alimentar, linguístico e comportamental – todos legitimados
culturalmente – que representam o modelo de ser humano ao qual a
semelhança se deva buscar, pois quanto maior a proximidade modelar
de tal sujeito, maior a possibilidade de inserção social. No caso
do brasil, destaca-se como identidade-referência o ser humano
branco, euro-estadunidense e masculino.” (LINS-RODRIGUES, 2010)
Na escola, essas
identidades e diferenças estão em todos os espaços escolares, mas
com maior intensidade na sala de aula.
As diferenças são
perpetuadas a partir de um referencial branco. O discente que não se
enquadra nesse referencial sofre um grande conflito ao perceber todas
as dificuldades encontradas por conta de seu enquadramento racial.
As culturas
marginalizadas e, por isso, invisibilizadas pelo currículo escolar
devem ser legitimadas dentro da escola.
Inicialmente é
necessário traçar um perfil da comunidade atendida pela escola
através de um mapeamento das manifestações culturais realizado com
o auxílio dos alunos: músicas, brincadeiras, onde divertem-se...
É preciso fugir das
inserções curriculares “turísticas” e folclóricas, ou seja,
fazer com que as manifestações curriculares apareçam no currículo
escolar apenas em datas pontuais.
É necessário lembrar
que negar as diferenças simplesmente é uma forma de fortalecer o
mito da democracia racial e, assim, fortalecer as situações
simuladas (ou até explícitas) de preconceito e racismo dentro da
escola. A intervenção docente nesses eventos é de crucial
importância para a desconstrução dessas manifestações.
Sugestão de vídeo que
pode ser trabalhado em sala de aula para a discussão a respeito da
determinação de referenciais culturais, o curta metragem VISTA A MINHA PELE:
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